As disputas de posição favorecem o Lakers

June 4, 2008

As decisões de disputa de posições feitas pelos técnicos nas finais da NBA têm uma longa história de determinar a vencedor da liga.

 Em 1975, KC Jones do Washington fez a escolha errada ao escolher Mike Riordan para defender Rick Barry do Golden State, que teve médias de 40,8 pontos por jogo e foi nomeado MVP das finais ao liderar o Warriors a uma vitória de 4-0.

 Em 1991, o então técnico do Chicago, Phil Jackson fez a escolha certa ao determinar que Scottie Pippen defenderia o armador do Lakers Magic Johnson, e isto ajudou o Bulls a vencer a série em 5 jogos.

 Em 2004, Larry Brown, do Detroid na época, decidiu corretamente por utilizar Ben Wallace, mesmo sendo mais baixo, para defender Shaquille O’Neal, e apesar do O’Neal conseguir bons números, o Pistons terminou a série em cinco jogos.

 Este ano, o técnico do Lakers, Phil Jackson, e o do Boston, Doc Rivers, são os técnicos sob os holofotes. As suas decisões nos posicionamentos irão influenciar de grande forma a determinação do campeão da NBA deste ano. Aqui está algumas para acompanhar:

 Kobe Bryant x Ray Allen

 Mesmo que Allen reviva o ano de 2001, quando ele teve médias de 25 pontos e arremessou 47% em 18 jogos dos playoffs pelo Milwaukee, é extremamente improvável que ele seja capaz de acompanhar Bryant, que elevou seu jogo a um nível mais alto e consistente nessa pós-temporada.

 Mas Allen pode ter um grande impacto nessa série se ele conseguir evitar faltas bobas e fazer Bryant trabalhar por seus pontos. Allen, que tem uma longa história de defender Kobe, ele tem que ser capaz de fazê-lo se mover sem agarrar – algo mais fácil de falar do que fazer.

 Não se surpreenda em ver o Celtics usar bastante de James Posey, junto de Paul Pierce e até mesmo Kevin Garnett contra o MVP da liga.

 A chave para o Boston vai ser a rotação defensiva embaixo da cesta contra Bryant. Eles terão que garantir que todos os cinco defensores estejam prontos para fazer uma jogada não importa quando Bryant tiver a bola em posição de ataque.

 Se Boston for capaz de fazer isso e forçar Bryant a tentar carregar o ataque do Lakers como um arremessador de longa distância, eles vão ter alguma chance de conseguir uma zebra nessa série.

 Paul Pierce x Vladimir Radmanovic

 À primeira vista, esta parece ser uma grande desvantagem para o Lakers. Mas na verdade não é. Radmanovic tem jogado seu melhor basquete da temporada nos playoffs e tem altura para causar problemas para Pierce.

 Vlad pode não possuir movimentação lateral, mas ele faz um bom trabalho de ficar entre a cesta e a pessoa que ele está defendendo. Com 2,08 metros, Radmanovic é capaz de dar certa distância e ainda assim elevar sua mão para defender a marca registrada do Pierce, seus arremessos fadeaways.

 Mas Pierce pode trazer problemas para Radmanovic se ele decidir não se concentrar em arremessos do perímetro. Fazendo isto, Pierce não apenas irá para a linha dos lances livres com maior freqüência, como ele também levará o Lakers a problemas com faltas.

 Para o Lakers, ajudará manter o Radmanovic envolvido no ataque. Ele está acertando 46,4% dos arremessos durante os playoffs, 63,3% contra o San Antonio na final da Conferência Oeste. Quanto mais Vlad fizer Pierce trabalhar na defesa, melhor as coisas serão para o Lakers.

 Também, não espere o Lakers ficar apenas com o Radmanovic contra o Pierce. Lamar Odom, Luke Walton e até mesmo Bryant terão oportunidades de defender o maior pontuador do Celtics nos playoffs

 Pau Gasol x Kevin Garnett

 Se fosse uma partida de um contra um na praia de Venice, a vantagem seria do Garnett por um infinito. Mas é um duelo nas finais da NBA, e Gasol tem sido uma força gigantesca para o Lakers nos playoffs.

 Garnett vai descobrir, como Tim Duncan do Spurs descobriu na final da conferência, que Gasol pode criar problemas com seu alcance. O pivô de 2,13 metros com longos braços tem um dom de botar suas mãos em bolas próximas da cesta e isto pode frustrar Garnett.

 Se Boston quer fazer esta disputa funcionar, Garnett não poderá se fixar em seu amado jogo de perímetro.

 O Celtics vai precisar que Garnett seja agressivo e force Gasol e se impor como defensor.

 Quando o Lakers estiver com a bola, espere que Gasol seja uma grande força. Esteja Gasol tirando vantagem de sua altura no garrafão ou participando da rotação para abrir uma área embaixo da cesta, o Celtics vai ter que se manter ocupados tentando impedi-lo de marcar.

 Gasol não jogou pelo Lakers quando eles perderam os dois jogos contra o Boston durante a temporada regular. Ele é o X-Factor da série e caberá a Garnett determinar qual time terá a vantagem.

 Outras disputas

 Apesar do jogador do Lakers Lamar Odom ser mais conhecido pelo seu jogo de perímetro no ataque, ele algumas vezes é forçado a disputar com jogadores maiores como Kendrick Perkins do Boston no garrafão. Perkins vai ter seus momentos, mas Odom é habilidoso e deve dar ao Lakers vantagem em ambos os lados da quadra.

 O veterano jogador do Lakers Derek Fisher vai ter uma dura batalha contra Rajon Rondo do Celtics se o jovem armador do Celtics for agressivo no ataque. Rondo possui um estilo de jogo sorrateiro que pode ser efetivo, especialmente se Fisher precisar ajudar na defesa de outros jogadores.

 O Lakers vai precisar que Fisher ataque a cesta quando vir uma abertura. Rondo tem problemas em parar a penetração e não possui força suficiente para parar Fisher.

 Liderado por Sasha Vujacic, Jordan Farmar, Ronny Turiaf e Walton, o banco do Lakers tem sido positivo nos playoffs. Jackson foi capaz de fazer as escolhas certas nos devidos momentos e seus reservas responderam.

 Mas o mesmo pode ser dito de Rivers e o Celtics. Seja com os veteranos P.J. Brown e Sam Cassell, ou os jovens profissionais Glen Davis e Leon Powe, Boston tem recebido constante esforço do banco.

Fonte: LA Times

 

Jackson se aproximando de Auerbach, terreno sagrado

Phil Jackson se inclina, transforma sua grave voz de barítono em um sussurro. “O fantasma do Red Auerbach está presente,” ele diz. “Está muito presente.”

Jackson se levanta novamente, suspende suas sobrancelhas mostrando conhecimento e olha ao redor do centro de treinamento do Los Angeles Lakers. Como jogador da rivalidade Celtics-Knicks do início dos anos 70, Jackson aprendeu a nunca subestimar a competitividade e destreza de Auerbach. Ele sabia que Auerbach “sempre tinha algo na manga”. Atualmente, o técnico do Lakers não se arrisca em irritar o falecido patriarca do Celtics, elogiando Auerbach por seu talento como técnico e executivo. Jackson até mesmo credita-o, quase brincando, por fazer o Celtics voltar a ser um time competitivo este ano, apesar dele ter morrido em outubro de 2006 de acordo com o Boston Globe.

“Danny Ainge e Kevin McHale, você não acha que eles colaboraram nisso tudo?” diz Jackson. “O fantasma do Red balançou McHale a fazer a troca que mandou Kevin Garnett para o Boston ano passado, ao invés de outro time.”

Jackson interrompe sua sobrenatural teoria de conspiração com um riso. Mas enquanto ele se prepara para enfrentar o Celtics no jogo 1 da final da NBA amanha à noite no TD Banknorth Garden, Jackson não consegue fugir de Auerbach. Em algum lugar, Red provavelmente está satisfeito em saber que ele pode alfinetar um oponente além-túmulo. Afinal de contas, se o Lakers derrotar o Celtics, Jackson vai se tornar o técnico mais vencedor da história da NBA, quebrando o empate em nove títulos com Red Auerbach.

Fonte: Yahoo Sports

 

Bryant, o melhor de sua geração

 

Jerry West esteve em um assento de primeira fila para acompanha a evolução de Kobe Bryant: adolescente precoce, três vezes campeão da NBA, estrela nervosa e amado MVP.

Um dos grandes do esporte ele mesmo, West pode se relacionar com parte do que Bryant viveu. E o homem conhecido como Mr. Clutch (algo como Sr. Presença)sabe o que separa Bryant do resto.

“Ele é Picasso em um tênis de basquete, com certeza – um daqueles jogadores de uma geração,” disse West. “Kobe é o finalizador supremo no jogo. Em todos os esportes existem jogadores que maximizam seu jogo quando é importante. Você não vê nenhum fazer isso como ele hoje, definitivamente.”

Bryant foi o finalizador supremo semana passada quando o Los Angeles Lakers derrotou o San Antonio Spurs 100-92 para avançar a primeira final da NBA desde 2004.

O Spurs marcou 5 pontos seguidos para diminuir a diferença para dois pontos, forçando o Lakers a pedir tempo. Bryant então marcou 10 dos seus 39 pontos nos últimos 3:32 minutos.

“Eu não vejo ninguém melhor que ele nesse sentido, como um finalizador,” disse Kareem Abdul-Jabbar, o maior pontuador da NBA e assistente do Lakers.

Bryant recordou de um conselho que West uma vez deu a ele.

“Ele disse que quando o jogo está nos seus momentos derradeiros, ele sente que os arremessos se tornam mais fáceis,” disse Bryant. “Foi interessante ouvi-lo dizer isso e tentar entender como ele via essas situações de pressão e como eu poderia aprender disso e tentar ser desse jeito.”

West passou mais de 40 anos com o Lakers como jogador, técnico e executivo. Ele soube quando assistiu Bryant com 17 anos nos treinamentos para o draft de 1996 que ele estava na presença de um futuro gênio.

Bryant está agora na exclusiva companhia dos jogadores que dominaram suas gerações: Bill Russell, Wilt Chamberlain, West, Elgin Baylor, Abdul-Jabbar, Magic Johnson, Larry Bird e Michael Jordan.

“Kobe tinha todas as características intangíveis, esse espirituoso jeito dele, completamente certo de si, de que ele era o melhor, mesmo tão jovem,” West disse. “Ele sempre esperou que todos fossem tão competitivos quanto ele, tão talentosos quanto ele. Poucos jogadores existiram que foram capazes de competir com sua habilidade, determinação e vontade.”

“Ele é um desses raros garotos que foram únicos desde o começo, quem podiam driblar entre 5 jogadores e ser capaz de marcar. Esse não é o jeito de se jogar basquete.”

Essa é uma lição que Bryant aprendeu.

“Ele finalmente entendeu isso,” West falou. “Ele provavelmente sempre foi o tipo de jogador independente que fazia chover sozinho. Ele simplesmente quer vencer. Ele espera que todos queiram o mesmo.”

Bryant, que completa 30 anos em agosto, está completando sua décima segunda temporada. Ele não se misturou muito com seus companheiros mais velhos no começo de sua carreira. Apesar dele ter sido companheiro de Shaquille O’Neal para liderar o Lakers a três títulos consecutivos, ambos brigaram feito loucos.

O’Neal foi trocado um mês após o Lakers perder para o Detroid Pistons na final da NBA de 2004. Bryant ainda convive com insinuações de que ele teve alguma coisa a ver com esta troca.

Outro dia, enquanto o Lakers se preparava para enfrentar o Boston Celtics na sua primeira final após a saída de O’Neal, Bryant disse que ele nunca esteve infeliz com seu papel de segunda opção do time.

“Eu nunca disse que eu queria meu próprio time.” Ele disse.

O técnico do Lakers Phil Jackson também deixou o time depois da temporada 2003-04, e depois escreveu um livro onde disse que Bryant era “impossível de ser treinado”. Jackson voltaria ao time depois de uma temporada parado e parece ter uma excelente relação com Bryant desde então.

Quando Bryant pediu para ser trocado no último verão, Jackson foi um aliado de todos os tipos. Quando Bryant foi eleito MVP pela primeira vez mês passado, seu técnico disse que não sabia de ninguém que merecia mais. Jackson treinou Jordan, 5 vezes MVP, em Chicago e estava com o Lakers quando O’Neal venceu o prêmio em 2000.

Bryant falou a temporada inteira sobre seu amor a seus companheiros de equipe, e a recíproca foi clara. Nem sempre foi assim – longe disso.

O retorno de Derek Fisher essa temporada claramente beneficiou Bryant dentro e fora de quadra. Eles foram companheiros de equipe no Lakers de 1996-04 antes de Fisher sair por 3 anos.

“Eu sempre senti que a maior diferença é que ele é um homem amadurecido,” disse Fisher. “Você pensa diferente, se emociona de forma diferente, você é um homem. O amadurecimento em sua vida continua para lhe dar uma perspectiva mais ampla e algumas vezes mais clara. As coisas mudam quando você passa de um cara mais novo para um cara mais velho. Você tem a responsabilidade de ser instrutivo.”

West assistiu o desdobramento do último ano de longe.

“Este tem sido um ano único porque começou de péssimo jeito,” West disse. “Provavelmente Kobe olhou no espelho um dia e disse, “Meu Deus, somos melhores do que achei que éramos. Eu vou ter ajuda.”

A ajuda veio de vários companheiros de equipe, especialmente de Andrew Bynum até que o pivô de 20 anos sofreu uma lesão que o tirou de toda temporada em 13 de janeiro. O Lakers adquiriu Pau Gasol do Memphis menos de três semanas depois, no que Bryant chamou esta semana de uma “pequena linda doação.”

Bryant tem declarado que esta foi sua melhor temporada regular e a que ele mais se divertiu. Isto é um longo arremesso de três pontos da primavera passada quando ele exigiu o Lakers a melhorar o elenco, e então pediu para ser trocado. Ele declarou recentemente o quão difícil foi o último verão.

“Eu tinha olheiras,” ele disse com um sorriso, em referência a seu problema para dormir. “Eu acho que teria sido um verão muito mais complicado se nós não tivéssemos jogado com a seleção dos Estados Unidos. Eu acho que isto me ajudou a esvaziar meu mente de muitas coisas e me concentrar no jogo.”

“Quando os treinamentos da pré-temporada chegaram, tudo que eu pensava era basquete. Estava de volta ao que interessava e fazendo o que eu faço. Quanto a temporada começou, eu não pensava sobre uma troca ou nada parecido. Eu simplesmente me direcionei em fazer o que precisava para fazer este time jogar o nosso melhor basquete. Foi isso que fizemos.”

Fonte: Yahoo Sports